O HOMEM SENSATO E OS FATOS QUE ENCOBREM A SABEDORIA
O fato de que a sabedoria tem sua sede no coração, indica que ela é totalmente
metafísica. A sabedoria é dada por Deus e Ele a retira quando Lhe apraz.
(A inteligência também é dada por Deus, mas o nível de inteligência não
muda através do tempo). O progresso da sabedoria depende do progresso
do coração - que seria um coração repleto da "recordação de Deus".
O coração de uma pessoa que se submete completamente a Deus, ganha em
sabedoria. Assim diz o Alcorão:
"Ele foi Quem te revelou o Livro; nele há versículos fundamentais, que
são a base do Livro, havendo outros alegóricos. Aqueles, cujos corações
abrigam a dúvida, seguem os alegóricos, a fim de causarem dissenções,
interpretando-os capciosamente. Porém, ninguém, senão Deus, conhece a
verdadeira interpretação. Os sábios dizem: Cremos nele (o Alcorão); tudo
emana do nosso Senhor. Mas, ninguém o admite, salvo os sensatos." (Alcorão
3:7)
Em alguns outros versículos é dito que pensar e recordar a mensagem,
e compreendê-la, é uma característica das "pessoas que são sábias".
"Ele concede sabedoria a que Lhe apraz, e todo aquele que for agraciado
com ela, sem dúvida terá logrado um imenso bem; porém, salvo os sensatos,
ninguém o compreende." (Alcorão 2:269)
"Em suas histórias, há um exemplo para os sensatos.
É inconcebível que seja uma narrativa forjada, pois é a corroboração das
anteriores, a elucidaçção de todas as coisas, orientação e misericórdia
para os que crêem." (Alcorão 12:111)
"Esta é uma mensagem para os humanos, a fim de
que com ela sejam admoestados, e saibam que somente Ele é o Deus Único,
e para que os sensatos nela meditem." (Alcorão 14:52)
"Acaso, quem está ciente da verdade que tem sido
revelada pelo teu Senhor é comparável àquele que é cego? Só o entendem
os sensatos." (Alcorão 13:19)
Portanto, o que quer dizer "homens sensatos"? Por que uma pessoa é sensata
e o seu coração é puro?
A resposta é facilmente encontrada no Alcorão. Os fatos que encobrem
a compreensão de uma pessoa são seus desejos e paixões. Uma pessoa invejosa,
por exemplo, tem sua capacidade de compreensão prejudicada em grande parte.
A sua inveja a impede de compreender; ela pensa o dia inteiro na pessoa
objeto de sua inveja, ela sente raiva e ódio. Tal pessoa não tem calma
e tranquilidade para analisar os fatos, perdendo, assim, sua capacidade
de entender as coisas.
Da mesma forma, outras paixões também encobrem essa compreensão. A paixão
pelo dinheiro faz com que a pessoa pense apenas em como ganhar mais dinheiro.
Todavia, na maior parte dos casos, essa pessoa não pode sequer administrar
seus bens, porque sua paixão a impede de agir com sabedoria e tomar as
decisões corretas.
Uma característica importante dos incrédulos é o medo contínuo que eles
têm a respeito do futuro. Estão sempre com medo da pobreza, ou de perder
o que possuem, ou de ficarem doentes, etc. Perdem horas pensando na espécie
de vida que os aguarda no futuro. Este medo e ansiedade os perturba e
é um obstáculo para a capacidade de discernimento. Este medo também se
aplica ao "medo da morte"; muitos incrédulos temem e se afligem sempre
que pensam na morte. A morte é um evento de um simples segundo, no entanto
os incrédulos se preocupam com ele por 40 ou 50 anos. (A morte para os
crentes não é motivo de preocupação).
Esses medos e paixões impedem a compreensão. A todo instante, a pessoa
age totalmente sob a influência desses sentimentos e não consegue perceber
o que de fato ela necessita pensar. A coisa mais importante que ela precisa
pensar é sobre a excelência da criação de Deus e que Ele é o mais Exaltado
em Poder e Sabedoria. O homem tem a obrigação de glorificar a Deus e adorá-Lo.
No entanto, isto só é possível se tiver um coração puro, que não esteja
fechado para o entendimento. Somente o homem sensato, que se libert ou
de seus medos e desejos egoístas pode conceber Deus e obedecê-Lo.
O Alcorão diz que as evidências de Deus só podem ser entendidas por aqueles
que são sensatos:
"Na criação dos céus e da terra e na alternância do dia e da noite há
sinais para os sensatos." (Alcorão 3:190)
"Tal homem poderá, acaso, ser equiparado àquele que se consagra (ao seu
Senhor) durante as horas da noite, quer esteja prostrado, quer esteja
em pé, que se precata em relação à outra vida e espera a misericórdia
do seu Senhor? Dize: Poderão, acaso, equiparar-se os sábios com os insipientes?
Só os sensatos o acham." (Alcorão 39:9)
"Não reparas, acaso, em que Deus faz descer a água do céu e a transforma
em fontes, na terra? Logo produz, com ela, plantas multicores; logo amadurecem
e, às vezes, amarelam; depois converte (as plantas) em feno. Por certo
que nisto há uma Mensagem para os sensatos." (Alcorão 39:21)
Os sensatos são aqueles que se recordam da mensagem de Deus e aceitam
o que é verdadeiro naquilo que aprenderam de outras pessoas. Não há arrogância
em seus corações e por isso eles podem abandonar facilmente o comportamento
errado. Quando conversam com os outros, seu objetivo é descobrir o que
é certo e não forçar a que aceitem suas opiniões. Deus se refere a essas
pessoas como os "Que escutam as palavras e
seguem o melhor (significado) delas! São aqueles que Deus encaminha, e
são os sensatos.". (Alcorão 39:18)
Os incrédulos não possuem sabedoria e compreensão, por isso não percebem
os sinais à sua volta. Embora os céus e a terra estejam repletos de provas
da existência de Deus, os incrédulos não conseguem ver nada, porque não
têm a mente aberta: suas mentes estão embotadas. São como avestruzes,
que escondem a cabeça na areia. Os incrédulos pensam apenas em seus próprios
benefícios e não alcançam as evidências de Deus. E é por isso que Deus
chama os "sensatos" para acreditarem Nele e temê-Lo.
"… ó sensatos, temei a Deus, quiçá assim prospereis." (Alcorão 5:100)
Há muitas passagens no Alcorão que mostram a forma como os incrédulos
são informados; Deus e Seus mensageiros os chamam para a sabedoria no
primeiro momento.
"Antes de ti, não enviamos homens que habitavam as cidades, aos quais
revelamos a verdade. Acaso, não percorreram a terra para observar qual
foi o destino dos seus antecessores? A morada da outra vida é preferível,
para os tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 12:109)
"Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de
Abraão, se a Tora e o Evangelho não foram revelados senão depois dele?
Não raciocinais?" (Alcorão 3:65)
"Enviamos-vos o Livro, que encerra uma Mensagem
para vós; não raciocinais?" (Alcorão 21:10)
"Dize (ainda mais): Vinde, para que eu vos prescreva
o que vosso Senhor vos vedou: Não Lhe atribuais parceiros; tratai com
benevolência vossos pais; não sejais filicidas, por temor à miséria -
Nós vos sustentaremos, tão bem quanto aos vossos filhos -; não vos aproximeis
das obscenidades, tanto pública, como privadamente, e não mateis, senão
legitimamente, o que Deus proibiu matar. Eis o que Ele vos prescreve,
para que raciocineis." (Alcorão 6:151)
"Sucedeu-lhes uma geração que herdou o Livro, a
qual escolheu as futilidades deste mundo, dizendo: Isto nos será perdoado!
E se lhes fosse oferecido outro igual, tê-lo-iam recebido (e transgredido
novamente). Acaso, não lhes havia sido imposta a obrigação, estipulada
no Livro, de não dizer de Deus mais que a verdade? Não obstante, haviam
estudado nele! Sabei que a morada da outra vida é preferível, para os
tementes. Não raciocinais?" (Alcorão 7:169)
"Dize: Se Deus quisesse, não vo-lo teria eu recitado,
nem Ele vo-lo teria dado a conhecer, porque antes de sua revelação passei
a vida entre vós. Não raciocinais ainda?" (Alcorão 10:16)
"Que é a vida terrena senão jogo e diversão frívola? A morada na outra
vida é preferível para os tementes. Não o compreendeis?" (Alcorão 6:32)
As únicas pessoas que podem alcançar e compreender as evidências da criação
de Deus e a Sua existência são os sensatos:
"E na terra há regiões fronteiriças (de diversas características); há
plantações, videiras, sementeiras e tamareiras, semelhanetes (em espécie)
e diferentes (em variedade); são regadas pela mesma água e distinguimos
umas das outras no comer. Nisto há sinais para os sensatos." (Alcorão
13:4)
"Dize (mais): Ele é capaz de infligir-vos um castigo celestial ou terreno,
ou confundir-vos em seitas, fazendo-vos experimentar tiranias mútuas.
Repara em como dispomos as evidências, a fim de que as compreendam." (Alcorão
6:65)
"Foi Ele Quem vos produziu de um só ser e vos proporcionou
uma estância para descanso. Temos elucidado os versículos para os sensatos."
(Alcorão 6:98)
"Assim, Ele vos elucida os Seus versículos para
que raciocineis." (Alcorão 24:61)
"E dos frutos das tamareiras e das videiras, extraís
bebida e alimentação. Nisto há sinal para os sensatos." (Alcorão 16:67)
"E submeteu, para vós, a noite e o dia; o sol,
a lua e as estrelas estão submetidos às Suas ordens. Nisto há sinais para
os sensatos." (Alcorão 16:12)
"Apresenta-vos, ainda, um exemplo tomado de vós
mesmos. Porventura, compartilharíeis daqueles que as vossas mãos direitas
possuem parceiros naquilo de que vos temos agraciado e lhes concederíeis
partes iguais às vossas? Temei-os acaso, do mesmo modo que temeis uns
aos outros? Assim elucidamos os Nossos versículos aos sensatos." (Alcorão
30:28)
"(Moisés) disse: É o Senhor do Oriente e do Ocidente,
e de tudo quanto existe entre ambos, caso raciocineis!" (Alcorão 26:28)
"E entre os Seus sinais, está o fato de os céus e a terra se manterem
sob o Seu Comando, e, quando vos chamar, uma só vez, eis que saireis da
terra." (Alcorão 30:24)
É por intermédio da sabedoria e compreensão que o homem se torna mais
nobre e mais próximo de Deus. Quanto àqueles destituídos de compreensão,
inclusive os incrédulos, não conhecem e não compreendem Deus.
Existem níveis de compreensão. Quanto mais a pessoa se libertar de suas
paixões e egoísmo, mais ela crescerá em sabedoria.
Ou o homem obedece a Deus ou se submete aos seus caprichos. Se ele odedecer
a Deus, será salvo da tirania de suas paixões e se tornará um sensato.
No entanto, se preferir seus desejos e paixões, tomando-os como seu deus,
ficará totalmente destituído de entendimento. Toda a sua vida, seu comportamento,
seus pensamentos, tudo será em função dos desejos e paixóes ilimitados
de sua alma.
Se os desejos governarem a vida da pessoa, seu coração será sigilado,
perdendo, assim, as propriedades de "compreensão" (9:87), e "conhecimento"
(9:93), tornando-se embotado e perdendo a sua sensibilidade. O coração,
então, perde a sua luz e se fecha. Nessas condições, não funciona adequadamente
e se torna destituído de sabedoria.
Além disso, tal pessoa não percebe o que perdeu porque também perdeu
os critérios de julgamento do certo e do errado. Embora aquele que se
torna sensato tenha clara percepção desse estado, o mesmo não se dá com
aquele que perdeu esta capacidade. É como um alienado que não sabe que
é alienado. Somente através do processo de consciência é que ela pode
perceber o quanto era alienada.
A pessoa destituída de sabedoria é como um animal inteligente. Assim
diz o Alcorão:
"O exemplo de quem exorta os incrédulos é semelhante ao daquele que chama
as bestas, as quais não ouvem senão gritos e vozerios. São surdos, mudos,
cegos, porque são insensatos." (Alcorão 2:171)
Esta não é aquela espécie de insanidade típica, comumente conhecida.
As pessoas destituídas de sabedoria não são, na verdade, loucas, mas,
apenas não pensam com a sabedoria de seus corações. "Pensar com a sabedoria
do coração" traz liberdade de ver tudo com o "conhecimento, a concepção
e a luz do coração". Quando a sabedoria está sob a influência dos desejos
e paixões, temos um estado simples e limitado de inteligência e ela agirá
apenas como intermediadora entre os objetos e os acontencimentos. Esta
"sabedoria" nunca será independente, não obstante a pessoa achar que é.
Ela se proclamará independente e agirá como tal, mas, este é o seu grande
equívoco, porque, na verdade, estará sob o domínio de suas paixões e agirá
de acordo com as suas regras.
As paixões também são ídolos, conforme Abraão perguntou
a seu pai, "Ó meu pai, por que adoras quem não ouve, nem vê, ou que em
nada pode valer-te?" (19:42).
Os desejos comandam a pessoa. Só há uma coisa que torna o homem livre:
adorar e obedecer a seu verdadeiro Deus - Allah.
SABEDORIA E ROMANTISMO
Um dos fatos mais importantes que encobrem a sabedoria, é o sentimentalismo,
ou seja, o romantismo. Ele é um estado perigoso e daninho da personalidade,
que impede a pessoa de compreender.
O sentimentalismo pode ser definido como as emoções que escapam do controle
da sabedoria, deixando a pessoa totalmente ao sabor de suas emoções. A
pessoa sentimental e comporta de forma irracional porque está sob a influência
de suas emoções. O crente, ao contrário, guia suas emoções com sabedoria
e age de acordo.
O amor, por exemplo, pode ser tanto emocional como racional. A pessoa
sentimental ama as pessoas e objetos que, na verdade, não mercem ser amados.
As pessoas amam coisas que lhes causam sofrimento ou que não as respeitam.
O amor dos crentes é totalmente sensato. Os crentes amam as pessoas por
suas caracterísitcas de correção, que também são os sinais de sua fé,
conforme mencionado no Alcorão. Os crentes não amam as pessoas que não
merecem ser amadas.
Frequentemente, o Alcorão adverte os crentes para evitarem o amor emocional:
"Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos inimigos, demonstrando-lhes
afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou da verdade, e expulçam
de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos, porque credes em Deus,
vosso Senhor! Quando sairdes para combater pela Minha causa, procurando
a Minha complacência (não os tomeis por confidentes), confiando-lhes as
vossas intimidades, porque Eu, melhor do que ninguém, sei tudo quanto
ocultais, e tudo quanto minifestais. Em verdade, quem de vós assim proceder,
desviar-se-á da verdadeira senda. Se lograssem tirar o melhor de vós,
mostrar-se-iam vossos inimigos, estenderiam as mãos e as línguas contra
vós, desejando fazer-vos rejeitar a fé. De nada vos valerão os vossos
parentes ou os vossos filhos, no Dia da Ressurreição. Ele vos separará;
sabei que Deus bem vê tudo quanto fazeis.
Tivestes um excelente exemplo em Abraão e naqueles que o seguiram, quando
disseram ao seu povo: Em verdade, não somos responsáveis por vossos atos
e por tudo quanto adorais, em lugar de Deus. Renegamos-vos e iniciar-se-á
uma inimizade e um ódio duradouros entre nós e vós, a menos que creiais
unicamente em Deus! Todavia, as palavras de Abraão para o pai: - Implorarei
o perdão para ti, embora nada venha a obter de Deus em teu favor - foram
uma exceção. (Dizei, ó crentes): Ó Senhor nosso, a Ti nos encomendamos
e a Ti nos voltamos contritos, porque para Ti será o retorno." (Alcorão
60:1-4)
Nos versículos "Ó fiéis, não tomeis por confidentes os Meus e os vossos
inimigos, demonstrando-lhes afeto, posto que renegam tudo quanto vos chegou
da verdade, e expulçam de (Makka) tanto o Mensageiro, como vós mesmos,
porque credes em Deus, vosso Senhor!", Deus diz que amar pessoas que,
na verdade, são nossas inimigas é totalmente irracional. Devotar o nosso
amor a tais pessoas depende única e exclusivamente da emoção.
Há, também, outras passagens no Alcorão que chamam nossa atenção para
os mesmo riscos. Noé, por exemplo, pediu perdão a Deus para seu filho
por não ter pedido para ser salvo da enchente. E Deus disse a Noé que
seu filho estave entre os incrédulos e que ele (Noé) não deveria oferecer-lhe
o seu amor.
"E ela navegava com eles por entre ondas que eram como montanhas, e Noé
chamou seu filho, que permanecia afastado, e disse-lhe: Ó filho meu, embarca
conosco e não fiques com os incrédulos! Porém, ele disse: Refugiar-me-ei
em um monte, que me livrará da água. Retrucou-lhe Noé: Não há salvação
para ninguém, hoje, do desígnio de Deus, salvo para aquele de quem Ele
se apiade. E as ondas os separaram, e o filho foi um dos afogados…E Noé
clamou ao seu Senhor, dizendo: Ó Senhor meu, meu filho é da minha família;
e Tua promessa é verdadeira, pois Tu és o mais equânime dos juízes! Respondeu-lhe:
Ó Noé, em verdade ele não é da tua família, porque sua conduta é injusta;
não Me perguntes, pois, acerca daquilo que ignoras; exorto-te a que não
sejas um dos insipientes! Disse: Ó Senhor meu, refugio-me em Ti por perguntar
acerca do que ignoro e, se não me perdoares e Te compadeceres de mim,
serei um dos desventurados." (Alcorão 11:42-47)
A ordem de Deus, nestes versículos, é de uma clareza cristalina. Os crentes
não podem amar os incrédulos, ainda que sejam membros de sua família.
A sabedoria mostra que devemos amar aqueles que merecem. Portanto, não
há a menor chance de os crentes amarem pessoas que não obedecem aos mandamentos
de Deus e esse tipo de amor é um amor emocional, e que é típico das comunidades
de ignorantes.
As esposas de Noé e de Lot também eram infiéis e foram punidas por Deus.
A comunidade de Lot havia se desviado e, por isso, foi destruída. No dia
anterior à destruição, os anjos vieram até Lot e disseram-lhe para abandonar
a cidade, mas que deixasse sua esposa lá. Sem hesitação, Lot obedeceu,
porque o seu amor por ela não era emocional.
"Disseram-lhe (os anjos): Ó Lot, somos os mensageiros do teu Senhor;
eles jamias poderão atingir-te. Sai, pois, com a tua família, no decorrer
da noite, e que nenhum de vós olhe para trás. À tua mulher, porém, acontecerá
o mesmo que a eles. Tal senteça se executará ao amanhecer. Acaso, não
está próximo o amanhecer?" (Alcorão 11:81)
Da mesma forma que Lot, não há um sequer, entre os crentes, que ofereça
o seu amor a pessoas que desobedecem a Deus:
"Não encontrarás povo algum que creia em Deus e no Dia do Juízo Final,
que tenha relações com aqueles que contrariam Deus e o Seu Mensageiro,
ainda que sejam seus pais ou seus filhos, seus irmãos ou parentes. Para
aqueles, Deus lhes firmou a fé nos corações e os confortou com o Seu Espírito,
e os introduzirá em jardins, abaixo dos quais correm os rios, onde morarão
eternamente. Deus se comprazerá com eles e eles se comprazerão n´Ele.
Estes formam o partido de Deus. Acaso, não é certo que os que formam o
partido de Dues serão os bem-aventurados?" (Alcorão 58:22)
A razão para este comportamento racional dos crentes é a "compreensão
do amor". Diz o Alcorão, no que se refere à diferença na compreensão do
amor:
"Entre os humanos, há aqueles que adotam, em vez de Deus, rivais (a Ele),
aos quais professam igual amor que a Ele; mas os fiéis só amam fervorosamente
a Deus. Ah, se os iníquos pudessem ver (a situação em que estarão) quando
virem o castigo (que os espera!), concluirão que o poder pertence a Deus
e Ele é Severíssimo no castigo" (Alcorão 2:165)
Conforme mencionado nos versículos acima, os crentes, na verdade, amam
Deus. O amor que devotam aos homens, nada mais é do que o reflexo do seu
amor por Deus, e é por isso que eles amam aqueles que são fiéis também.
Quanto aos incrédulos, estes só obedecem a seus desejos e paixões, razão
por que se afastaram de Deus. O seu comportamento e modos lembram os de
Satanás. Por isso, é impossível para o crente amá-los. Os incrédulos consideram
cada criatura apartada de Deus e por isso, os ama separadamente. Esta
espécie de amor "é atribuir parceiro a Deus" - ou seja, isto é idolatria.
O comportamento oposto à emoção, a que se refere o Alcorão, não consiste
apenas no amor. Há muitos exemplos de comportamentos racionais no Alcorão:
na relação de Moisés com um dos servos de Deus, a quem Ele agraciou com
a Sua Misericórdia e a quem deu o conhecimento de Sua própria Presença,
os prejuízos menores são considerados benefícios maiores (18:65-82); com
relação ao papel do sacrifício, Ismael disse a seu pai "Ó meu pai, faze
o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os perseverantes!"
(37:102); e a mãe de Moisés, assim que recebe a inspiração de Deus, coloca
o filho no rio sem hesitação (28:7); e os crentes sufocam sua raiva e
perdoam os homens (3:134); e não se desesperam com relação a coisas que
estão além de sua compreensão (57:23); e gastam daquilo que eles mais
apreciam (3:92).
No entanto, há um ponto importante que não deve ser compreendido erradamente.
Não ser possuído pela emoção não quer dizer que a pessoa seja insensível
ou indelicado. O Alcorão diz que "Sabei que Abraão
era sentimental, tolerante." (9:114) O que está errado com a emoção
é que ela se origina de uma convicção ignorante. As emoções são fruto
da alma e não no espírito.
AS RAÍZES DA SABEDORIA
Uma vez que a sabedoria está relacionada com a metafísica, alcançar a
sabedoria está também relacionada a essa ciência. Encontramos, no Alcorão,
os caminhos para se alcançar a sabedoria; a sabedoria começa com o temor
a Deus.
"Ó fieis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento, apagará
os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência."
(Alcorão 8:29)
O temor a Deus faz com que o homem compreenda os atributos de Deus e
entenda o dia do julgamento, e, numa etapa posterior, ele terá a capacidade
de julgar o certo do errado. Esta espécie de entendimento é o resultado
do fato de que o temor a Deus suaviza o coração da pessoa.
"Deus revelou a mais bela Mensagem: um Livro homogêneo (com estilo e
eloquência), e reiterativo. Por ele, arrepiam-se as peles daqueles que
temem seu Senhor; logo, suas peles e corações se apaziguam, ante a recordação
de Deus. Tal é a orientação de Deus, com a qual encaminha quem Lhe apraz.
Por outra, quem Deus desviar não terá orientador algum." (Alcorão 39:23)
O homem deve tentar aumentar o seu temor a Deus. Deve orar, e tentar
compreender os atributos de Deus melhor e que Ele é Poderoso e Exalatado.
"Temei, pois, a Deus, tanto quanto possais. Escutai-O, obedecei-Lhe e
fazei a caridade, que isso erá preferível para vós! Aqueles que se preservarem
da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 64:16)
O homem de discernimento tem uma profunda concepção dos atributos de
Deus e da religião, ao passo que os homens destituídos de entendimento
são citados no Alcorão como tendo "cobertas sobre os corações (e mentes)
a fim de que não possam entender o Alcorão".
"E sigilamos os seus corações para que não o compreendessem, e ensurdecemos
os seus ouvidos. E, quando, no Alcorão, mencionas unicamente teu Senhor,
voltam-te as costas desdenhosamente." (Alcorão 17:46)
O Alcorão, em muitas passagens, refere-se aos incrédulos que não entendem
e nem concebem as verdades. Percebem as realidades ditas a eles através
dos sentidos físicos; ouvem e vêm, mas não compreendem o significado.
É uma espécie de estado de embriaguês e perda da consciência e isto á
alguma coisa metafísica. Deus diz que Ele coloca véus sobre seus corações:
"E haverá alguém mais iníquo do que quem, ao ser exortado com os versículos
do seu Senhor, logo os desdenha, esquecendo-se de tudo quanto tenha cometido?
Em verdade, sigilamos as suas mentes para que não os compreendessem e
ensurdecemos os seus ouvidos; e ainda que os convides à orientação, jamais
se encaminharão." (Alcorão 18:57)
Os incrédulos algumas vezes, até, confessam que não compreendem a verdadeira
religião que lhes foi comunicada. Da mesma forma que o povo de Madian
ao dizer a Xuaib, "Ó Xuaib, não compreendemos muito do que dizes
e, para nós, és incapaz; se não fosse por tua família, ter-te-íamos apedrejado,
porque não ocupas grande posição entre nós." (Alcorão 11:91)
Quando o coração do homem é encoberto por um véu e Deus tira toda a sua
compreensão, não há a menor possibilidade de ele seguir o caminho verdadeiro,
a menos que Deus assim o queira.
"Entre eles, há os que te escutam. Poderias fazer ouvir os surdos, uma
vez que não entendem? E há os que te perscrutam; acaso, poderias fazer
ver os cegos, uma vez que não enxergam?" (Alcorão 10:42-43)
Portanto, somente as pessoas que possuem a fé e agem corretamente são
capazes de compreender. Além disso, os crentes também estão obrigados
a transmitir a verdadeira religião:
"Dize: Esta é a minha senda. Apregôo Deus com lucidez,
tanto eu como aqueles que me seguem." (Alcorão 12:108)
"Já vos chegaram as evidências do vosso Senhor!
Quem as observar será em benefício próprio; quem se obstinar (em negá-las)
será igualmente em seu prejíxo, e eu não sou vosso guardião." (Alcorão
6:104)
Uma vez que os incrédulos são destituídos de compreensão, eles pensam
que lhes é benéfico se desviarem. Escolheram o inferno e estão satisfeitos
com a escolha.
"Depois da partida do Mensageiro de Deus, os que permaneceram regozijavam-se
de terem ficado em seus lares e recusado sacrificar os seus bens e pessoas
pela causa de Deus; disseram: Não partais durante o calor! Dize-lhes:
O fogo do inferno é mais ardente ainda! Se o compreendessem…!" (Alcorão
9:81)
"E se for revelada uma surata que lhes prescreva: Crede em Deus e lutai
junto ao Seu Mensageiro! Os opulentos, entre eles, pedir-te-ão para serem
eximidos e dirão: Deixa-nos com os isentos! Preferiram ficar com os incapazes
e seus corações foram sigilados; por isso não compreendem". (Alcorão 9:86-87)
DISPLICÊNCIA E ATENÇÃO
Em muitas passagens, o Alcorão diz que os incrédulos destituídos de compreensão
também reconhecem que estão em estado de displicência.
"Temos criado para o inferno numerosos gênios e
humanos com corações com os quais não compreendem, olhos com os quais
não vêem, e ouvidos com os quais não ouvem. São como as bestas, quiçá
pior, porque são displicentes."(Alcorão 7:179)
"São aqueles aos quais Deus selou os corações,
os ouvidos e os olhos; tais são os desatentos. "(Alcorão 16:108)
Além de não perceberem seus próprios comportamentos e critérios errados,
as pessoas que são displicentes também esperam parecer inocentes e tentam
diminuir o grau de suas iniquidades. Contudo, não é possível libertarem-se
das faltas, através de desculpas posteriores, conforme mencionado no Alcorão:
"Mais, ainda, o homem será a evidência contra si mesmo, ainda que apresente
quantas escusas puder." (Alcorão 75:14-15)
Apresentar desculpas é apenas uma forma de encobrir o estado causado
pelos desejos e paixões. O Alcorão se refere a essas escusas como:
"Porém, se quando se depararem com o comércio ou
com a diversão, se dispersarem, correndo para eles e te deixarem a sós,
dize-lhes: O que será relacionado com Deus é preferível à diversão e ao
comércio, porque Deus é o melhor dos provedores. "(Alcorão 62:11)
"E se aproximar a verdadeira promessa. E eis os
olhares fixos dos incrédulos, que exclamarão: Ai de nós! Estivemos desatentos
quanto a isto; qual, fomos uns iníquos!" (Alcorão 21:97)
"Sê paciente, juntamente com aqueles que pela manhã e à noite invocam
seu Senhor, anelando contemplar Seu Rosto. Não negligencies os fiéis,
desejando o encanto da vida terrena e não escutes aquele cujo coração
permitimos negligenciar o ato de se lembrar de Nós, e que se entregou
aos seus próprios desejos, excedendo-se em suas ações". (Alcorão 18:28)
Ao invés de apresentar alguma forma de desculpa, seria mais sábio para
ele tentar compreender sua iniquidade. Somente esta atitude salvá-lo-á
do estado de desatenção e de extravio em que ele se encontra.
"Aproxima-se a prestação de contas dos homens que, apesar disso, estão
desdenhosamente desatentos" (Alcorão 21:1)
Enquanto o descrente está desatento, o crente está alerta, consciente
e atento. Os crentes têm consciência de que Deus conhece tudo sobre os
homens e de que Ele está em toda a parte. Sabe, também, que na outra vida,
Ele chamará cada um de nós para a prestação de contas. O crente atento
está sempre alerta sobre tudo o que o rodeia. Deus registra e anota de
tudo, sem exceção de um único acontecimento. Na verdade, cada evento e
cada objeto tem um grande propósito e está além da sabedoria. Os crentes,
permanecendo alertas e atentos, entendem cada detalhe específico.
Por outro lado, os incrédulos são negligentes. Como não imaginam que
os eventos estão todos vinculados a um objetivo maior, eles estão num
estado de desatenção e negligência. Só prestam atenção aos seus próprios
interesses. Portanto, eles estão interessados somente em certos aspectos
de certos acontecimentos e, por isso, não podem perceber as relidades
que os rodeiam e optam por resultados falsos.
Existem vários aspectos de atenção. Prestar atenção aos acontecimentos,
ponderar e compreender, perceber as evidências à sua volta, pensar sobre
algumas ações, são sinais de atenção. O Alcorão cita muitos exemplos de
comportamentos atentos dos crentes. Moisés, por exemplo, reconhece o fogo
perante todas as pessoas em volta dele, e na verdade ele descobre que
não era um fogo comum. Então, perto do fogo, Deus comunica a Moisés:
"Quando viu um fogo, disse à sua família: Permanecei aqui, porque lobriguei
um fogo; quiçá vos traga uma áscua ou, por outra, ache ao redor do fogo
alguma orientação. Porém, quando chegou a ele, foi chamado: Ó Moisés,
Sou teu Senhor! Tira as tuas sandálias, porque estás no vale sagrado de
Tôua. Eu te escolhi.Escuta, pois, o que te será inspirado: Sou Deus. Não
há divindade além de Mim! Adora-Me, pois, e observa a oração, para celebrar
o Meu nome, porque a hora se aproxima - desejo conservá-la oculta, a fim
de que toda a alma seja recompensada segundo o seu merecimento. Que não
te seduza aquele que não crê nela (a Hora) e se entrega à concupiscência,
porque perecerás!" (Alcorão 20:10-16)
Além do fato de que os crentes são cuidadosos individualmente, também
é importante que a comunidade de crentes esteja vigilante e seja precavida.
A regra do "ser perseverante", contida na Surata 3, versículo 200, é um
exemplo disto. Desta forma, enquanto alguns crentes lidam com situações
diferentes, outros devem esperar vigilantemente e em estado de alerta.
Um estado de fadiga, indiferença, despreocupação e insensibilidade, de
não cuidar das coisas, são traços característicos dos incrédulos. Portanto,
os crentes devem sempre ser extremamente cuidadosos, vigilantes e alertas.
Os crentes são animados, vivos, fortes, ávidos e entusiastas e além disso,
eles também tornam os outros crentes entusiastas.
SEGUIR A CONJECTURA
Quando um homem vive em estado de desatenção ele não compreende e não
pode perceber nada, ele não possui critérios para fazer julgamentos verdadeiros.
Tal pessoa naturalmente se comporta de forma ilógica e desarrazoada. Toda
a sua vida é baseada em conceitos ilógicos mas ele não percebe isto.
O princípio essencial da sabedoria é não acreditar em uma presunção,
até que ela seja provada definitivamente. Ninguém que seja inteligente
e razoável baseia sua vida em alguma coisa que não esteja provada. Por
exemplo, ninguém toma um medicamento que não seja totalmente conhecido,
achando que talvez ele seja bom. Cada ação deve ser baseada em verdades
certas.
No entanto, os incrédulos baseiam suas vidas em meras suposições. Eles
não acham que viverão uma vida após a morte. Não imaginam que pagarão
pelo que tiverem feito ou acham que não serão inculpados, mesmo que exista
um acerto final. Todo sistema e ideologia que eles admitem estão baseados
em algumas espécies de conjecturas e, assim, sua visão de mundo não depende
de uma base verdadeira e correta.
Na Surata 18, temos o caso dos dois fazendeiros, um deles descrente e
o outro um crente. Conforme mencionado acima, o descrente neste caso,
baseou sua vida em algumas suposições e conjeturas falsas:
"Expõe-lhes o exemplo de dois homens: a um deles concedemos dois parreirais,
que rodeamos de tamareiras e, entre ambos, dispusemos plantações. Ambos
os parreirais frutificaram, sem em nada falharem, e no meio deles fizemos
brotar um rio. E abundante era a sua produção. E disse ao seu vizinho:
Sou mais rico do que tu e tenho mais poderio. Entrou em seu parreiral
num estado (mental) injusto para com a sua alma. Disse: Não creio que
(este parreiral) jamais pereça, como tampouco creio que a Hora chegue!
Porém, se retornar ao meu Senhor, serei recompensado com outra dádiva
melhor do que esta." (Acorão 18:32-36)
As afirmações feitas nesses versículos são importantes. O descrente diz
que não acredita que seu pomar se acabe e nem que a hora do julgamento
virá. Esta é uma simples suposição e não há prova concreta em relação
a isso. No entanto, o proprietário considera essa suposição falsa e inverídica
como fundamento. A conclusão leva-o a total destruição, como o resto da
história nos mostra:
"Seu vizinho lhe disse, argumentando: Porventura negas Quem te criou,
primeiro do pó, depois, de esperma e logo te moldou como homem? Quanto
a mim, Deus é meu Senhor e jamais associarei ninguém ao meu Senhor. Por
que quando entrastes em teu parreiral não dissestes: Seja o que Deus quiser,
não existe poder senão em Deus! Mesmo que eu seja inferior a ti em bens
e filhos, é possível que meu Senhor me conceda algo melhor do que o teu
parreiral e que, do céu, desencadeie sobre o teu uma centelha, que o converta
em um terreno de areia movedça. Ou que a água seja totalmente absorvida
e nunca possas recuperá-la. E foram arrasadas as suas propriedades; e
(o incrédulo, arrependido) retorcia, então, as mãos, pelo que nelas havia
investido, e, vendo-as revolvidas, dizia: Oxalá não tivesse associado
ninguém a meu Senhor! E não houve ajuda que o defendesse de Deus, nem
pôde salvar-se. Assim, a proteção só incumbe ao Verdadeiro Deus, porque
Ele é o melhor Recompensador e o melhor Destino.(Alcorão 18:37:44)
Assim, todos os incrédulos se submetem a conjeturas e não à verdadeira
sabedoria. O conhecimento que é verdadeiro, com a certeza exata, é o conhecimento
que vem de Deus, que é inspiração- Se o homem quiser basear sua vida no
conhecimento que é verdadeiro e com certeza exata, ele deve ter o Alcorão
como seu livro e padrão de julgamento. Quanto ao homem que julga com base
na ideologia, na filosofia, no sistema, na metodologia ou na ciência,
não chegará ao conhecimento preciso, porque todas essas correntes de pensamento
não provêm da fonte divina, não passando de simples suposições. Conforme
mencionado no Alcorão
"Embora careçam de todo o conhecimento a esse respeito. Não fazem senão
seguir conjeturas, sendo que a conjetura jamais prevaleceu, em nada, sobre
a verdade".(Alcorão 53:28)
O Alcorão define as pessoas que descartam o caminho de Deus como submissos
a simples suposições:
'Que pereçam os inventores de mentiras! Que estão descuidados, submersos
na confusão! Perguntam: Quando chegará o Dia do Juízo? (Será) o dia em
que serão testados no fogo! (Ser-lhes-á dito): Provai o vosso teste! Eis
aqui o que pretendestes apressar!" (Alcorão 51:10-14)
Aqueles que associam outros deuses a Deus são, na verdade, todos submissos
a suposições. No Alcorão está dito:
"Tais (divindades) não são mais do que nomes, com
que as denominastes, vós e vossos antepassados, acerca do que Deus não
vos conferiu autoridade alguma. Não seguem senão as suas próprias conjeturas
e as luxúrias das suas almas, não obstante ter-lhes chegado a orientação
do seu Senhor!" (Alcorão 53:23)
Não é certo que é de Deus aquilo que está nos céus
e na terra? Que pretendem, pois, aqueles que adoram os ídolos em vez de
Deus? Não seguem mais do que a dúvida e não fazem mais do que inventar
mentiras!" (Alcorão 10:66)
Se obedeceres à maioria dos seres da terra, eles
desviar-te-ão da senda de Deus, porque não professam mais do que a conjetura
e não fazem mais do que inventar mentiras." (Alcorão 6:116)
"Sua maioria não faz mais do que conjeturar, e
a conjetura jamais prevalecerá sobre a verdade; Deus bem sabe tudo quanto
fazem!" (Alcorão 10:36)
Aqueles que se submetem às suposições acham que podem criar e oferecer
algumas simples desculpas a Deus para salvaguardá-los. Na verdade, isto
é mera conjetura e contradiz a realidade. Suas escusas não serão aceitas
perante Deus.
"Os idólatras dirão: Se Deus quisesse, nem nós, nem nossos pais, jamais
teríamos idolatrado, nem nada nos seria vedado! Assim, seus antepassados
desmentiram os mensageiros, até que sofreram o Nosso castigo. Dize: Tereis,
acaso, algum argumento a nos expor? Qual! Não seguis mais do que conjeturas
e não fazeis mais do que inventar mentiras!" (Alcorão 6:148)
LEALDADE & OBEDIÊNCIA
Cada tipo humano é descrito detalhadamente no Alcorão, inclusive todas
as caracterísitcas corruptas dos incrédulos.
Além do caráter dos incrédulos, o Alcorão também nos fala sobre as propriedades
características dos crentes. Os fiéis que crêem em Deus, que receberam
o alento de Sua alma e que obedecem a Ele, têm suas características baseadas
em elevados valores morais.
Quando comparamos os dois lados, isto é, crentes e incrédulos, torna-se
evidente que seus comportamentos são definitivamente opostos. Os crentes,
por exemplo, são leais e sinceros, enquanto os incrédulos são hipócritas
e desleais. Os crentes são generosos, bravos e modestos, enquanto que
os incrédulos são arrogantes, amedrontados e egoístas.
Uma outra diferença importante entre eles é o conceito de lealdade. Os
incrédulos jamais são verdadeiramente leais. Tendo em vista que eles sempre
preferem seus próprios interesses, podem facilmente enganar a seus amigos
a quem juram amor e podem se comportar deslealmente. De igual modo, abandonam
o caminho que aceitaram como verdadeiro e deixam de lutar por aquilo que,
até há pouco tempo atrás, lutavam com intensidade.
Os crentes, no entanto, são totalmente diferentes. Não almejam qualquer
benefício egoísta senão a Vontade de Deus. Todo o seu comportamento está
de acordo com a Vontade de Deus - assim, não há possibilidade de eles
abandonarem àqueles a quem amam, os outros crentes, por qualquer razão
e porque não podem deixar o verdadeiro caminho (lutar pela causa de Deus).
São profundamente leais com os crentes e, em especial com o profeta ou
líder. Deus assim se refere à lealdade no Alcorão:
"Entre os fiéis, há homens que cumpriram o que haviam prometido, quando
da sua comunhão com Deus; há-os que o consumaram (ao extremo), e outros
que esperam, ainda, sem violarem a sua comunhão, no mínimo que seja."
(Alcorão 33:23)
Com lealdade, os fiéis todos lutam pelo mesmo objetivo e isto, que é
o principal sinal de estabilidade e determinação, impede dúvidas e estimas
frívolas. Esta é uma das características vitais dos fiéis, uma vez que
a menor instabilidade na lealdade e na autenticidade provocará a perda
do auto-respeito. Portanto, a pessoa que perde o auto-respeito, evolui
na fraude, perde a fé e, consequentemente, se comporta da mesma forma
que um descrente ou um hipócrita. É por isso que a infidelidade conduz
a um resultado importante. O infiel, ao tentar esconder este comportamento
dos crentes, é levado a uma falsificação. A uma mentira segue-se outra,
e, assumindo que ele ilude o crente, começa então uma nova maneira de
viver. E é um comportamento distante dos crentes e com o objetivo de se
beneficiar dos fiéis, sem qualquer sentimento de amor. Este homem não
age pela causa da Vontade de Deus, mas pela vontade do homem e mente para
manter seu crédito perante os crentes. Tentando encontrar desculpas para
a sua infidelidade, ele se pretende inocente, mas isto não faz bem.
Os fatos aqui mencionados comprovam que o comportamento infiel acaba
por transformar a crença em descrença. Quanto aos crentes, esses são leais
até a morte e se comportam assim porque a sua lealdade é, na verdade,
a lealdade para com Deus. Dentro desse raciocínio, o comportamento desleal
significa, na verdade, a deslealdade para com Deus. Lealdade e obediência
são unicamente para com Deus
"Quem obedecer ao Mensageiro obedecerá a Deus; mas quem se rebelar, saiba
que não te enviamos para lhes seres guardião." (Alcorão 4:80)
A lealdade é um dos tópicos mais importantes, para o qual os fiéis devem
estar bem atentos. O Alcorão fala sobre os hipócritas que esperam escapar
da luta, embora jurem ser leais e que este é um acordo fundamental
"Tinham prometido a Deus que não fugiriam (do inimigo).
Terão que responder pela promessa feita a Deus!" (Alcorão 33:15)
"Não negocieis o pacto com Deus a vil preço, porque
o que está ao lado de Deus é preferível para vós; se o soubésseis!" (Alcorão
16:95)
Não há dúvida de que a obediência é o sinal mais importante da lealdade
e ela é mencionada em muitos versículos do Alcorão. Conforme diz o Alcorão,
a obediência é a chave para a Misericórdia e o Paraíso, e a vitória contra
os incrédulos.
"Obedecei a Deus e ao Mensageiro, a fim de que
sejais compadecidos." (Alcorão 3:132)
"Tais são os preceitos de Deus. Àqueles que obedecerem
a Deus e ao Seu Mensageiro, Ele os introduzirá em jardins, abaixo dos
quais correm os rios, onde morarão eternamente. Tal será o magnífico benefício."
(Alcorão 4:13)
"Ó fiéis, obedecei a Deus, ao Mensageiro e às autoridades,
dentre vós! Se disputardes sobre qualquer questão, recorrei a Deus e ao
Mensageiro, se crerdes em Deus e no Dia do Juízo Final, porque isso vos
será preferível e de melhor alvitre." (Alcorão 4:59)
"Jamais enviaríamos um mensageiro que não devesse
ser obedecido, com a anuência de Deus. Se, quando se condenaram, tivessem
recorrido a ti e houvessem implorado o perdão de Deus, e o Mensageiro
tivesse pedido perdão por eles, encontrariam Deus, Remissório, Misericordiosíssimo.
Qual! Por teu Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas dissensões
e não objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então submeter-se-ão a ti
espontaneamente." (Alcorão 4:64-65)
"Aqueles que obedecem a Deus e ao Mensageiro, contar-se-ão
entre os agraciados por Deus: profetas, verazes, mártires e virtuosos.
Que excelentes companheiros serão!" (Alcorão: 4:69)
A obediência é para ser praticada em todas as ocasiões, independentemente
de qualquer obstáculo ou complicação. A obediência sob dificuldades e
problemas é peculiar aos crentes. Os hipócritas, no entanto, apenas obedecem
quando não há muitas dificuldades a serem vencidas, e por isso o Alcorão
diz que eles obedecerão se "houver ganhos imediatos e jornada fácil.
"Quer estejais leve ou fortemente (armados), marchai (para o combate)
e sacrificai vossos bens e pessoas pela causa de Deus! Isso será preferível
para vós, se quereis saber. Se o ganho fosse imediato e a viagem fácil,
ter-te-iam seguido; porém a viagem pareceu-lhes penosa. E ainda jurariam
por Deus: Se tivéssemos podido, teríamos partido convosco! Com isso se
condenaram, porque Deus bem sabia que eram mentirosos." (Alcorão 9:41-42)
Os crentes obedecem sob qualquer condição e se comprometem, ainda que
tenham seus interesses contrariados. Esta é uma das principais diferenças
entre os fiéis e os hipócritas.
"Dizem: Cremos em Deus e no Mensageiro, e obedecemos. Logo, depois disso,
uma parte deles volta as costas, porque não é fiel. E quando são convocados
ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem entre eles, eis que um grupo
deles desdenha. Porém, se a razão está do lado deles, correm a ele, obedientes.
Abrigam a morbidez em seus corações; duvidam eles, ou temem que Deus e
Seu Mensageiro os defraudem? Qual! É que eles são uns iníquos! A resposta
dos fiéis, ao serem convocados ante Deus e Seu Mensageiro, para que julguem
entre eles, será: Escutamos e obedecemos! E serão venturosos. Aqueles
que obedecerem a Deus e ao Seu Mensageiro e temerem a Deus e a Ele se
submeterem, serão os ganhadores! Juraram solenemente por Deus que se tu
lhes ordenasses (marcharem para o combate) iriam. Dize-lhes: Não jureis!
É preferível uma obediência sincera. Sabei que Deus está bem inteirado
de tudo quanto fazeis. Dize-lhes (mais): Obedecei a Deus e obedecei ao
Mensageiro. Porém, se vos recusardes, sabei que ele (o Mensageiro) é só
responsável pelo que lhe está encomendado, assim como vós sereis responsáveis
pelo que lhe está encomendado, assim como vós sereis encaminhar-vos-eis,
porque não incumbe ao Mensageiro mais do que a proclamação da lúcida Mensagem."
(Alcorão 24:47-54)
A obediência ao mensageiro deve ser do fundo do coração e com compromisso
pleno. Os fiéis sabem que a decisão do mensageiro é certa e, por isso,
não abrigam a suspeita em seus corações. Isto é extremamente importante
porque obedecer com relutância e de má vontade é considerado com um sinal
de descrença, conforme descreve o Alcorão:
"Qual! Por teu Senhor, não crerão até que te tomem por juiz de suas dissenções
e não objetem ao que tu tenhas sentenciado. Então, submeter-se-ão a ti
espontaneamente." (Alcorão 4:65)
A obediência é o indício cristalino que afirma a crença em Deus e obediência
para servi-Lo. Que, o que levará o homem à salvação eterna e verdadeira
é a simples obediência. Conforme afirma a Surata 24: Ó fiéis, atendei
a Deus e ao Mensageiro, quando ele vos convocar à salvação. o mensageiro
convoca os homens para a salvação. Em um outro versículo, está dito que
o Mensageiro chama os fiéis para a salvação, liberdade e alegria e para
evitar o mal.
"São aqueles que seguem o Mensageiro, o Profeta iletrado, o qual encontram
mencionado em sua Tora e no Evangelho, o qual lhes recomenda o bem e lhes
proíbe o ilícito, prescreve-lhes todo o bem e veda-lhes o imundo, alivia-os
dos seus fardos e livra-os dos grilhões que os deprimem. Aqueles que nele
creram, honraram-no, defenderam-no e seguiram a Luz que com ele foi enviada,
são os bem-aventurados." (Alcorão 7:157)
O que determina a vitória dos fiéis sobre os infiéis é o fato de eles
serem completamente obedientes ao Mensageiro e àqueles que têm a autoridade
para governar. Neste caso, eles obedecem. Deus os apóia e lhes dá a vitória.
Na verdade, também há o caso oposto para ser meditado, ou seja: se eles
não obedecerem ao mensageiro, eles perdem sua autoridade e força.
"Deus cumpriu a Sua promessa quando, com a Sua anuência, aniquilastes
os incrédulos, por terem atribuído parceiros a Deus, sem que Ele lhes
tivesse conferido autoridade alguma para isso. Sua morada será o fogo
infernal. Quão funesta é a morada dos iníquos." (Alcorão 3:152)
A salvação só é alcançada através da obediência. Aqueles que desobedecem
e seguem um caminho diferente daquele indicado pelo Mensageiro não encontrará
lugar algum exceto o inferno, confome mencionado no Alcorão:
"A quem combater o Mensageiro, depois de haver sido evidenciada a Orientação,
seguindo outro caminho que não o dos fiéis, abandoná-lo-emos em seu erro
e o introduziremos no inferno. Que péssimo destino!" (Alcorão 4:115)
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