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Conceitos Básicos do Alcorão - Harun Yahya

CONCEITOS BÁSICOS DO ALCORÃO

"Ó fiéis, se temerdes a Deus, Ele vos concederá discernimento,
apagará os vossos pecados e vos perdoará, porque é Agraciante por excelência."
(Alcorão 8:29)


 

FRATERNIDADE

Uma outra característica dos crentes, que é tão importante quanto a lealdade e a simples adoração, é a fraternidade e união entre eles. O Alcorão diz que todos os crentes são irmãos uns dos outros. Eles têm os mesmo objetivos e as mesmas intenções, sentem as mesmas coisas e, em decorrência, desfrutam de uma grande amor e solidariedade entre si. Assim diz o Alcorão a respeito:

"Em verdade, Deus aprecia aquelesque combatem em fileiras, por Sua causa, como se fossem uma sólida muralha." (Alcorão 61:4)

"E apegai-vos, todos, ao vínculo com Deus e não vos dividais; recordai-vos das mercês de Deus para convosco, porquanto éreis adversários mútuos e Ele conciliou os vossos corações e , mercê de sua graça, vos convertestes em verdadeiros irmãos; e quando estivestes à beira do abismo infernal, (Deus) dele vos salvou. Assim, Deus vos elucida os Seus versículos, para que vos ilumineis." (Alcorão 3:103)

Os crentes possuem valores morais elevados e se comportam de acordo com esses valores; eles são respeitosos e modestos. É dessa forma que uma fraternidade se forma. No entanto, também existem aspectos que os crentes devem observar, porque, algumas vezes, os erros provocados por eles podem prejudicar a irmandade.

A explicação para isto é que a alma que orienta o comportamento dos crentes deixou de estar alerta. Embora os crentes sejam generosos e tolerantes, a alma de cada a pessoa tem um lado fraco e, por isso, deve acautelar-se para não perder o controle. No caso de uma alma egoísta, invejosa e apaixonada, é ela quem assume o controle e esses aspectos ruins afetarão o comportamento dos crentes.

Por isso que o Alcorão adverte acerca da fraternidade. Uma vez que o lado ruim da alma pode desviar o homem, os crentes não devem jamais se comportar de uma forma que possa, de alguma forma, provocar os outros crentes.

"E dize aos Meus servos que digam sempre o melhor, porque Satanás causa dissensões entre eles, pois Santanás é um inimigo declarado do homem." (Alcorão 17:53)

No Alcorão, os crentes são informados de que devem se relacionar da melhor maneira possível. Oversículo acima também nos diz que Satanás tenta destruir a fraternidade entre os homens, principalmente entre os crentes. Quando em estado de descuido, o crente pode passar por cima de seus irmãos e, por consequência, sentir inveja dos irmãos que deveriam ser prioritários para eles. Este tipo de comportamento só acontece em estado de descuido e é, na verdade, um insurreição contra Deus. Conforme mencionado no Alcorão "ou invejam seus semelhantes por causa do que Deus lhes concedeu de Sua graça?..." (Alcorão 4:54), todos os favores concedidos aos homens vêm somente de Deus e a Ele pertencem. Ter inveja deles é questionar o plano de Deus e, além do mais, provoca nos crentes a perda do valor, uma vez que os crentes devem evitar, rigorosamente, a inveja.

"E obedecei a Deus e a Seu mensageiro e não disputeis entre vós, porque fracassaríeis e perderíeis o vosso valor. E perseverai, porque Deus está com os perseverantes." (Alcorão 8:46)

Por conseguinte, os crentes devem ser cautelosos, evitando não só a inveja como também qualquer situação que possa provocar esse estado. A sinceridade e a modéstia podem acabar com o perigo da competição. Um outro critério importante que o Alcorão menciona é a penitência, que deverá ser praticada com alegria.

"Os que antes deles residiam (em Medina) e haviam adotado a fé, mostram afeição por aqueles que migraram para junto deles e não nutrem inveja alguma em seus corações, pelo que (tais migrantes) receberam (de despojos); por outra, preferem-nos, em detrimento de si mesmos. Sabei que aqueles que se preservarem da avareza serão os bem-aventurados." (Alcorão 59:9)

A inveja, a competição e a disputa, são os três obstáculos mais importantes que impedem a fraternidade e a união entre os crentes. Toda a espécie de competição provocada pelas paixões diminue o amor e a devoção. Tal comportamento que contradiz o Alcorão, prejudica o espírito dos crentes.

Existem muitas formas pelas quais os crentes podem ganhar a satisfação de Deus para com eles. Portanto, não faz qualquer sentido entrar numa competição injusta e despropositada, ou sentir inveja. Uma vez que o verdadeiro objetivo do crente deve ser o de agradar a Deus, não deveria haver qualquer tipo de competição porque todos podem ganhar o prazer de Deus sem que seja necessário confrontar-se com os outros. Assim, os crentes não devem se esquecer de que são aliados, protetores e socorredores uns dos outros, da mesma forma que os órgãos do corpo, e por isso devem olhar parsa o sucesso do irmão como se fosse o seu próprio. Há muitos versículos no Alcorão que falam sobre a união e fraternidade entre os crentes.

"E aqueles que os seguiram dizem: Ó Senhor nosso, perdoa-nos, assim como também aos nossos irmãos, que nos precederam na fé e não infundas em nossos corações rancor algum pelos fiéis.Ó Senhor nosso, certamente Tu és Compassivo, Misericordiosíssimo." (Alcorão 59:10)

A discórdia e a controvérsia entre os crentes mostram a dissenção entre eles, destróem a força deles e fortalecem os infiéis. No Alcorão está dito que, quando os crentes não se apoiam uns nos outros, surge a tirania.

"Os infiéis são, igualmente, protetores uns dos outros; e se vós não o fizerdes (protegerdes uns aos outros), haverá intriga e a opressão sobre a terra." (Alcorão 8:73)

Em muitas passagens, o Alcorão faz considerações a respeito da fraternidade e união entre os crentes:

"Não sejais como aqueles que se dividiram e discordaram, depois de lhes terem chegado as evidências, porque esses sofrerão um severo castigo." (Alcorão 3:105)

"Perguntar-te-ão sobre os espólios. Dize: Os espólios pertencem a Deus e ao Mensageiro. Temei, pois, a Deus, e resolvei fraternalmente as vossas querelas; obedecei a Deus e ao Seu Mensageiro, se sois fiéis." (Alcorão 8:1)

"Não és responsável por aqueles que dividem a sua religião e formam seitas, porque sua questão depende de só de Deus, o Qual logo os inteirará de tudo quanto houverem veito." (Alcorão 6:159)

Os crentes são obrigados a ter misericórdia e clemência para com os outros crentes e a serem extremamente modestos. Qualquer outro comportamento diferente disso, decididamente não é característica do verdadeiro fiel. A arrogância, a inveja, a discórdia pertencem aos infiéis. Portanto, o crente que aje assim por causa do lado ruim de sua alma, deve pedir a proteção de Deus, arrepender-se e corrigir-se. Do contrário, conforme citado no versículo abaixo, Deus os substituirá por um grupo superior de pessoas .

"Ó fiéis, aqueles dentre vós que renegarem a sua religião, saibam que Deus os suplantará por outras pessoas, às quais amará, as quais O amarão, serão compassivas para com os fiéis e severas para com os incrédulos; combaterão pela causa de Deus e não temerão censura de ninguém. Tal é a graça de Deus, que a concede a quem Lhe apraz, porque Deus é Munificente,Sapientíssimo." (Alcorão 5:54)

MODÉSTIA E ARROGANCIA

A modéstia é um dos tópicos mais importantes e dos mais citados no Alcorão. Ser modesto e humilde é sinal de fé, enquanto que a arrogância é a característica peculiar da descrença.

A razão para a modéstia estar em pé de igualdade com a fé, e a arrogância com a descrença, é porque a fé traz a compreensão e a sabedoria, enquanto que a descrença impede o entendimento. Ninguém pode ser fiel e arrogante ao mesmo tempo, porque o fiel compreende e concebe Deus através da razão e da sabedoria e sabe que Deus tem o controle de todas as coisas e que, ele próprio, também foi criado por Deus. Um homem de compreensão sabe que Deus é o mais Forte e Poderoso, e que ele é fraco e pobre. Ele é fraco porque fica doente, sofre, necessita do alimento para sobreviver e não pode impedir nada disso. Ele nada possui e sequer pode determinar o dia em que morrerá. Viverá sua vida por um período certo e determinado e, então, será enterrado e voltará para Deus. Nada existe nele que possa provocar uma tal arrogância, porque ele possui apenas o que lhe é concedido por Deus. E por isso, ele deve graças a Deus e não ser arrogante. Este fato, ou seja, de que ele deve ter consciência de sua fraqueza diante de Deus, moldará seu comportamento. Ele tem consciência de sua fraqueza diante de Deus, mas não age como um fraco diante dos outros e sim com dignidade e honradez.

Diferentemente dos crentes, os infiéis estão sempre num estado de arrogância e altivez. Uma vez que eles não concebem Deus verdadeiramente, acham-se independentes e livres de Deus e não sabem que, na verdade, são uns pobres. Eles tentam se exaltar o máximo que podem. Por outro lado, alardear seus bens terrenos como inteligência, riqueza, beleza, reputação, etc., como se isso pertencesse a eles, é incorrer num grande erro, porque tudo o que possuem pertence a Deus e Ele pode tirar a qualquer momento que queira. Quando se vangloriam do que têm, também sentem falta do que não possuem. Não sabem submeter-se a Deus, confiar n'Ele, e, por isso, são arrogantes e complexados. O Alcorão mostra inúmeros exemplos de pessoas assim:

"Aqueles que disputam sobre os versículos de Deus, sem autoridade concedida, não abrigam em seus peitos senão a soberbia, com a qual jamais lograrão o que quer que seja: ampara-te, pois, em Deus, porque é o Oniouvinte, o Onividente." (Alcorão 40:56)

Uma pessoa assim, como mencionada no versículo acima, se vê tão importante que não consegue perceber as coisas em seu verdadeiro sentido. Pensa que tudo que existe é um instrumento para a satisfação de seu ego. Ela se louva a si própria e jamais admite que comete erros. Quando chega a esse ponto, começa a sentir ódio da religião, uma vez que ela ensina que o homem nada mais é do que um pobre servo de Deus. Ela não admite a verdade dos ensinamentos por causa de sua arrogância. Essas pessoas são apresentadas no Alcorão da seguinte forma:

"E os negaram, por iniquidade e arrogância, não obstante estarem deles convencidos. Repara, pois, qual foi o destino dos corruptores." (Alcorão 27-14)

Os extremamente arrogantes são, na verdade, os verdadeiros responsáveis pela perversidade e corrupção na terra.

"Entre os homens há aqueles que, falando da vida terrena, te encanta, invocando Deus por Testemunha de tudo quanto encerra o seu coração, embora seja o mais encarniçado dos inimigos d'Ele. E quando se retira, eis que a sua intenção é percorrer a terra para causar a corrupção, devastar as semeaduras e o gado, mesmo sabendo que a Deus desgosta a corrupção. Quando lhe é dito que tema a Deus, apossa-se dele a soberbia, induzindo-o ao pecado. Mas o inferno ser-lhe-á suficiente castigo. Que funesta morada." (Alcorão 2:204-206)

Em um outro versículo, os arrogantes são assim reconhecidos:

"Que escuta os versículos de Deus, quando lhe são recitados, e se obstina, ensoberbecido, como se não os tivesse ouvido! Anuncia-lhe um doloroso castigo." (Alcorão 45-8)

Rejeitar a verdade, muito embora a alma esteja convencida dela, indica o significado que a arrogância assume no espaço que vai da crença à descrença. Nada, a não ser a arrogância, leva o homem a escolher o tipo de vida que o conduzirá ao fracasso e à dor, seja nesta vida como na outra. Portanto, o maior inimigo do homem é a arrogância.

O desvio e a rebeldia de Satanás estão baseados em sua arrogância. Existe no Alcorão um exemplo muito importante, que enfatiza a importância da arrogância. Este exemplo é assim relatado:

"Recorda-te de quando o teu Senhor disse aos anjos: De barro criarei um homem.Quando o tiver plasmado e alentado com Meu Espírito, prostrai-vos ante ele. E todos os anjos se prostraram, unanimemente, menos Lúcifer, que se ensoberbeceu e se contou entre os incrédulos. (Deus) perguntou: Ó Lúcifer, o que te impede de te prostrares ante o que criei com as Minhas Mãos? Acaso, estáis ensoberbecido ou é que te contas entre os altivos? Respondeu: Sou superior a ele; a mim me criaste de fogo, e a ele de barro. (Deus lhe) disse: Vai-te daqui, porque és maldito, e a Minha maldição pesará sobre ti, até ao Dia do Juízo!" (Alcorão 38:71-78)

As afirmações de Satanás, referidas no Alcorão são muito interessantes e mostram a sua maneira de ser, o seu complexo de inferioridade. O Alcorão nos diz que Satanás se declara especial e superior a Adão. Mas, o único que pode exaltar, dignificar ou degradar é Deus, somente. Ao ordenar que Satanás se prostrasse ante Adão, Deus enalteceu Adão. Quem quer que tenha discernimento pode resistir a uma ordem de Deus. Satanás ousou fazê-lo e, por isso, sofrerá a maldição de Deus até o dia do Juízo.

O desvio de Santanás é um exemplo do desvio daqueles que o seguem. De acordo com os versículos de Deus, devemos avaliar o comportamento de Santanás para sabermos como somos levados ao extravio.

Satanás se revoltou contra Deus e, não satisfeito, quis que os outros se rebelassem também. Este evento é relatado na surata Al-Hijr, conforme se segue:

"Então, (Deus) disse: Ó Lúcifer, que foi que te impediu de seres um dos prostrados? Respondeu: É inadmissível que me prostre ante um ser que criaste de argila, de barro modelável. Disse-lhe Deus: Vai-te daqui (do Paraíso), porque és maldito! E a maldição pesará sobre ti até ao Dia do Juízo. Disse: Ó Senhor meu, tolera-me até ao dia em que forem ressuscitados! Disse-llhe: Serás, pois, dos tolerados, até ao dia do término prefixado. Disse: Ó Senhor meu, por me teres colocado no erro, juro que os alucinarei na terra e os colocarei, a todos, no erro." (Alcorão 15: 32-39)

Mas, Satanás não quer ficar sozinho e fará de tudo para desviar as pessoas. Num certo sentido, trata-se de uma satisfação psicológica. Da mesma forma que Satanás, os homens também querem que os outros pratiquem os mesmos pecados e cometam os mesmos erros para que não sejam os únicos a incorrerem no erro, na falsa suposição de que a punição não será severa porque são erros praticados por muitos. A expectativa básica daqueles que rejeitam a fé e a religião, e desobedecem aos mandamentos de Deus, é a de que as pessoas ao seu redor também fazem o mesmo. Portanto, a afirmação de que "todos fazem assim", "se todas essas pessoas vão para o inferno, então eu também irei", revelam esse tipo de raciocínio.

Satanás conhece Deus e aceita a existência e até o poder de Deus, mas, ainda tem a falsa presunção de que é superior e, por isso, espera usufruir de algumas prioridades. Esta é a razão pela qual ele se extravia quando ordenado a prostrar-se diante de Adão.

Esta é também a razão do extravio de muitas pessoas. A maior parte dos infiéis citados no Alcorão admitem a existência de Deus, mas, acham que têm algumas características superiores e, por isso, tornam-se arrogantes. Esta também é a razão pela qual as pessoas que se desviaram se dizem "as prediletas de Deus". O Alcorão frequentemente fala sobre isso e quando judeus e cristãos se dizem "Somos os filhos de Deus e seus preferidos" obtêm como resposta:

"Por que,então, Elevos castiga por vossos pecados? Qual! Sois tão somente seres humanos,como os outros! Ele perdoa a quem Lhe apraz e castiga quem Ele quer. Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra e tudo quanto há entre ambos, e para Ele será o retorno." (Alcorão 5:18)

O sentimento de prioridade pode revelar-se de diversas formas. No entanto, o Islam ensina ao homem que ele é pobre e nada possui além do que Deus lhe concedeu. Muitas pessoas rejeitam esta verdade. Assim como Satanás que diz "eu fui criado do fogo", muitas pessoas acham que pertencer a uma família nobre, ser rico ou bonito, são características superiors e por isso, permanecem insistentemente arrogantes. Há no Alcorão exemplos significativos deste tipo. O caso de Qarun, um homem do povo de Moisés, é um exemplo notável.

"Em verdade, Carun era do povo de Moisés e o envergonhou. Havíamos-lhe concedido tantos tesouros, que as suas chaves constituíam uma carga para um grupo de homens robustos. Recorda quando o seu povo lhe disse: Não exultes, porque Deus não aprecia os exultados. Mas procura, com aquilo com que Deus te tem agraciado, a morada do outro mundo; não te esqueças da tua porção neste mundo, e sê amável, como Deus tem sido para contigo, e não semeies a corrupção na terra, porque Deus não aprecia os corruptores. Respondeu: Isto me foi concedido, devido a certo conhecimento que possuo! Porém, ignorava que Deus já havia exterminado tantas geraões, mais vigorosas e mais opulentas do que ele. Em verdade, os pecadores não serão interrogados (imediantamente) sobre os seus pecados. Então apresentou-se seu povo com toda a sua pompa. Os que ambicionavam a vida terrena disseram: Oxalá tivéssemos o mesmo que foi concedida a Carun! Quão afortunado é! Porém, os sábios lhes disseram: Ai de vós! A recompensa de Deus é preferível para o fiel que pratica o bem. Porém, ninguém a obterá, a não ser os perseverantes. E fizemo-lo ser tragado, juntamente com sua casa, pela terra, e não teve partido algum que o defendesse de Deus, e não se contou entre os defendidos. E aqueles que, na véspera, cobiçavam a sua sorte, disseram: Ai de nós! Deus prodigaliza ou restringe as Suas mercês a quem Lhe apraz, dentre os Seus servos! Se Deus não nos tivesse agraciado, far-nos-ia sermos tragados pela terra. Em verdade, os incrédulos jamais prosperarão. Destinamos a morada, no outro mundo, àqueles que não se envaidecem nem fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:76-83)

Conforme dito acima, Qarun e as pessoas semelhantes a ele, acham que a riqueza e todas as espécies de bênçãos concedidas a eles são o resultado de uma característica particular deles e se esquecem, e até negam, que tudo foi concedido por Deus. A declaração de Qarun "Isto me foi concedido, devido a certo conhecimento que possuo!" é esclarecedor desse raciocínio. Essas pessoas logo "exultarão", conforme citado nos versículos acima. Esta também é a razão pela qual as pessoas se mostram arrogantes, desrespeitosas e agressivas depois que alcançam o sucesso, a riqueza ou o poder. Elas têm a plena convicção de que são "as favoritas de Deus" e alegam que detêm a superioridade perante Deus.

"O homem não se farta de implorar o bem; mas, quando o mal o açoita, ei-lo desesperado, desalentado. Todavia, se depois de tê-lo açoitado a adversidade, o agraciarmos com a Nossa misericórdia, dirá: Isto é (mérito) meu e não creio que a Hora chegue; e se retornar ao meu Senhor, certamente obterei a Sua bem-aventurança. Porém, interaremos os incrédulos de tudo quanto tiverem cometido e lhes infligiremos um severo castigo." (Alcorão 41:49-50)

O Alcorão também se refere àqueles que tentam se purificar:

"Não reparaste naqueles que se vangloriam de ser puros? Qual! Deus purifica quem Lhe apraz e não os frustra, no mínimo que seja." (Alcorão 4:49)

Os crentes, por seu turno, jamais têm a certeza de que irão para o céu. Invocam Deus "com temor e esperança" (Alcorão 32:16). Pedem a Deus que os "defenda do tormento do Fogo!" (Alcorão 2:201); "Não permita que nossos corações se desviem depois de nos teres iluminado" (Alcorão 3:8); "faze com que morramos muçulmanos" (Alcorão 7:126). A única razão para que alguém tenha a certeza de que irá para o céu é a sua própria arrogância. No entanto, essa mesma arrogância, na verdade, impedirá a sua salvação porque "Deus não aprecia arrogante e jactancioso algum" (Alcorão 57:23).

O Alcorão está sempre mostrando que a "arrogância" é um dos aspectos mais importantes na religião.

"E não te conduzas com jactância na terra, porque jamaispoderás fendê-la, nem te igualar, emaltura às montanhas." (Alcorão 17:37)

"E não vires o rosto às gentes, nem andes insolentemente pela terra, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 31:18)

"Para que vos não desespereis, pelos (prazeres) que vos foram omitidos, nem vos exulteis por aquilo com que vos agraciou, porque Deus não aprecia arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 57:23)

"Adorai a Deus e não Lhe atribuais parceiros. Tratai com benevolência vossos pais e parentes, os órfãos, os necessitados, o vizinho próximo, o vizinho estranho, o companheiro, o viajante e os vossos servos, porque Deus não estima arrogante e jactancioso algum." (Alcorão 4:36)

O Alcorão ordena que os crentes sejam modestos e moderados e adverrte que os arrogantes não comparecerão perante Deus. Só isso é mais do que suficente para que os crentes se eximam do comportamento insolente. Além disso, o Alcorão ensina que a moderação é um dos aspectos básicos dos crentes.

"Vosso Deus é Único; consagrai-vos, pois, a Ele. E tu (ó Mensageiro), anuncia a bem-aventurança aos que se humilham." (Alcorão 22:34)

"E os servos do Clemente são aqueles que andam pacificamente pela terra e, quando os insipientes lhes falam, dizem: Paz!" (Alcorão 25:63)

"Destinamos a morada, no outro mundo, àqueles que não se envaidecem nem fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:83)

"Somente crêem em nossos versículos aqueles que, quando eles lhos são recitados, se prostram em adoração e celebram os louvores do seu Senhor, sem, contudo, se encoberbecerem." (Alcorão 32:15)

Esta é uma consideração muito importante porque ser crente ou não vai depender do fato de a pessoa ser insolente ou moderada. No Alcorão, Deus nos diz que Ele não permitirá que os arrogantes percebam Seus sinais e, por isso, serão os extraviados.

"Afastarei dos Meus versículos aqueles que se envaidecem sem razão, na terra e, mesmo quando virem todo o sinal, nele não crerão; e, mesmo quando virem a senda da retidão, não a adotarão por guia. Isso porque rejeitaram os Nossos sinais e os negligenciaram." (Alcorão 7:146)

Em um outro versículo alcorânico, Deus informa que a característica comum a todos os incrédulos que nos antecederam é que todos eram arrogantes.

"(Deus lhe replicará): Qual! Já te haviam chegado os meus versículos. Porém, tu os desmentistes e te ensoberbeceste e fostes um dos incrédulos!" (Alcorão 39:59)

"Quando lhe é dito que tema a Deus, apossa-se dele a soberbia, induzindo-o ao pecado. Mas o inferno ser-lhe-á suficiente castigo. Que funesta morada!" (Alcorão 2:206)

"Concedemos o Livro a Moisés, e depois dele enviamos muitos mensageiros, e concedemos a Jesus, filho de Maria, as evidências, e o fortalecemos com o Espírito da Santidade. Cada vez que vos era apresentado um mensageiro, contrário aos vossos interesses, vós vos ensoberbecíeis! Desmentíeis uns e assassináveis outros." (Alcorão 2:87)

Conforme declarado no Alcorão, os arrogantes são aqueles que entrarão no inferno e lá ficarão para sempre.

"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem, jamais lhes serão abertas as portas do céu, nem entrarão no Paraíso, até que um camelo passe pelo buraco de uma agulha. Assim castigamos os pecadores. Terão o inferno por leito, cobertos com mantos de fogo. Assim castigamos os iníquos." (Alcorão 7:40-41)

"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem serão condenados ao inferno, onde permanecerão eternamente." (Alcorão 7:36)

Aqueles que se opõem e se rebelam contra os mensageiros e lutam contra eles sempre foram arrogantes. As pessoas definidas no Alcorão como os "chefes dos incrédulos", ou "o grupo arrogante", não concordaram em obedecer ao mensageiro por causa de seu orgulho e arrogância e, conseqüentemente, não aceitaram que um outro homem pudesse guiá-los para o verdadeiro caminho. A descrença dos chefes das comunidades é frequentemente mencionada no Alcorão.

"Porém, os chefes dos que se ensoberbeceram, dentre seu povo, perguntaram aos fiéis submetidos: Estais seguros de que Sáleh é um mensageiro do seu Senhor? Responderam: Nós cremos em sua missão. Mas, os que se ensoberbeceram lhes disseram: Nós negamos o que credes." (Alcorão 7:75-76)

"Os chefes que se ensoberbeceram, dentre o seu povo, disseram-lhe: Juramos que te expulsaremos da nossa cidade, ó Xuaib, juntamente com aqueles que contigo crêem, a menos que retorneis ao nosso credo.(Xuaib) retrucou: Ainda que o deploremos?" (Alcorão 7:88)

Os líderes das comunidades infiéis são arrogantes por causa de sua condição social e financeira e não conseguem admitir que uma pessoa, a quem falta tais atributos, possa ser um mensageiro, e, por consequência, liderá-los. Por isso, não aceitam o que as pessoas escolhidas por Deus para serem Seus mensageiros dizem. No Alcorão, a revolta dos Filhos de Israel contra Talut, que havia sido enviado a eles como um líder, está assim relatada:

"Então, seu profeta lhes disse: Deus vos designou Talut por rei. Disseram: Como poderá ele impor a sua autoridade sobre nós, uma vez que temos mais direito do que ele à autoridade, e já que ele nem sequer foi agraciado com bastantes riquezas? Disse-lhes: É certo que Deus o elegeu sobre vós, concedendo-lhe superioridade física e moral. Deus concede a Sua autoridade a quem Lhe apraz, e é Magnificente, Sapientíssimo." (Alcorão 2:247)

Os proeminentes da sociedade, durante a época de Mohammad, igualmente se opuseram a ele dizendo, "por que o Alcorão não foi revelado a um dos notáveis de uma das duas cidades?" (Alcorão 43:31). A razão deste falso raciocínio é porque os incrédulos dão mais valor às pessoas de reputação. Nesse caso específico, se o mensageiro fosse "um notável de uma das duas cidades", eles, então, não hesitariam em obedecê-lo. Foi por este mesmo motivo que o povo de Tamud se opôs a Sáleh.

"Dizendo: Quê! Acaso, haveremos de seguir um homem solitário, surgido dentre nós? Cairíamos, então, em extravio e na loucura! Acaso, foi a Mensagem revelada só a ele, dentre nós? Qual! É ummentiroso, insolente!" (Alcorão 54:24-25)

Na surata Al-Mudáscir (74), encontramos versículos notáveis para que se compreenda como a arrogância desvia os homens. Um deles cita um homem que tinha recebido muitas bênçãos de Deus e que era arrogante quando o Alcorão era lido para ele. Ele ouve e compreende as palavras de Deus, mas sua arrogância o impede de aceitar. Em decorrência de sua arrogância, esta pessoa será punida como inferno.

"Deixa por Minha conta aquele que criei solitário, que depois agraciei com infinitos bens, e filhos, ao seu lado, e que agraciei liberalmente, e que ainda pretende que lhe sejam acrescentados (os bens)! Qual! Por ter sido insubmisso quanto aos Nossos versículos, infligir-lhe-ei um acúmulo de vicissitudes, porque meditou e planejou. Que pereça, pois, por planejar, uma vez mais, que pereça por planejar! Então, refletiu; Depois, tornou-se austero e ameaçador; Depois, renegou e se ensoberbeceu; E disse: Este (Alcorão não é mais do que magia, oriunda do passado; esta não é mais do que a palavra de um mortal!Por isso, introduzi-lo-ei no tártaro! E o que te fará compreender o que é o tártaro? Nada deixa perdurar e nada deixa a sós! Carbonizador dos humanos." (Alcorão 74:11-29)

Em um outro versículo alcorânico, a situação de uma pessoa arrogante no inferno é descrita como se segue:

"(E será dito aos guardiães): Agarrai o pecador e arrastai-o até ao centro da fogueira! Então, atormentai-o, derramando sobre a sua cabeça água fervente. Prova o sofrimento, já que tu és o poderoso, o honorável!" (Alcorão 44:47-49)

O homem não deve se esquecer de que, diante de Deus, é desprovido e que é o Seu servo. Ao se lembrar disto, ele compreenderá que não é o verdadeiro possuidor das coisas e sim que Deus as concedeu e, portanto, deve agradecer a Ele sempre. No entanto, se ele se tornar arrogante por causa dos favores que lhe foram concedidos, logo não terá mais satisfação com essas bênçãos e, em seguida, as perderá também. O ponto crucial é saber que ele é o servo de Deus. Aquele que se comporta como servo de Deus terá as Suas bênçãos aumentadas. Mas, o comportamento contrário só pode terminar em tristeza. Aqueles que são arrogantes na adoração a Deus, serão reunidos diante d'Ele e punidos, conforme nos diz o Alcorão:

"... aqueles que desdenham Sua adoração e são arrogantes, Ele os castigará dolorosamente e não acharão, além de Deus, protetor, nem defensor algum." (Alcorão 4:172)

"Aqueles que desmentirem os Nossos versículos e se ensoberbecerem serão condenados ao inferno, onde permanecerão eternamente." (Alcorão 7:36)

No entanto, aqueles que não são arrogantes e são moderados, são os verdadeiros servos de Deus e terão seu lugar garantido no céu.

"Destinamos a morada, no noutro mundo, àqueles que não se envaidecem nem fazem corrupção na terra; e a recompensa será dos tementes." (Alcorão 28:83)

MODÉSTIA E ARROGANCIA

Um dos poucos sinais de fé mais importantes é a confiança em Deus e a submissão a Ele, e que também é uma das diferenças mais relevantes entre os crentes e os incrédulos.

Para um incrédulo, a vida é caótica porque ele acha que está neste mundo por acaso e que tudo que está à sua volta funciona assim. Ele jamais confia verdadeiramente em qualquer coisa porque a toda hora ele enfrenta um problema que lhe traz dor e sofrimento. Existem centenas, e até milhares, de fatos que interferem em sua felicidade, desde um, que pode ser "fortuito", que se transforma num acontecimento indesejado e provoca a ruína em sua vida. Por exemplo, ele perde seu emprego, um amigo próximo morre, etc. Como ele pensa que esses fatos são isolados, ele precisa se preocupar com cada um deles separadamente. Com isso, na verdade, o que ele faz é transformar cada evento num deus, porque, de acordo com o Alcorão, temer ou confiar em alguma coisa significa tomar aquela coisa como um ídolo, além de Deus.

Quanto aos crentes, estes têm consciência do segredo desta vida: Este segredo é que tudo, cada criatura, cada ser animado ou inanimado está sob o controle de Deus e nada acontece que não seja com a Sua permissão e conhecimento. Este segredo é citado no Alcorão como "... sabei que não existe criatura que Ele não possa agarrar pelo topete. Meu Senhor está na senda reta." (Alcorão 11:56), e "A Ele pertence tudo que existe no céu e na terra: tudo se submete a Ele devotadamente." (Alcorão 30:26) e o Alcorão só pode ser compreendido por "aqueles que são perspicazes." (Alcorão 15:75)

Os crentes sabem que tudo funciona de acordo com um destino determinado por Deus. Por isso, para eles nada é "ruim" ou "mau". Algumas vezes, algo pode ser visto como não sendo bom, mas é, na verdade, benéfico, e por isso bom, para os crentes. Portanto, os crentes são pacientes em relação às coisas que possam ser vistas como ruins e confiam em Deus. Certamente que Deus transforma as coisas más em boas e benéficas para os crentes.

Quando lemos o Alcorão, vemos que todos os mensageiros, e os crentes que os seguiram, enfrentaram muitas dificuldades durante toda a vida. Foram ameaçados de morte, torturados, insultados e alguns até foram mortos. No entanto, apesar de todas as dificuldades, jamais perderam a calma e a confiança. E isto porque os crentes têm como certo que qualquer acontecimento provém de Deus somente, e que deve haver um bom motivo por trás de todos eles. Deus jamais deixa os crentes desamparados, jamais impõe um peso maior do que a capacidade de suportá-lo e a recompensa pelas dificuldades desta vida será obtida na outra.

"Dize: Jamais nos ocorrerá o que Deus não nos tiver predestinado! Ele é nosso Protetor.Que os fiéis se encomendem a Deus!" (Alcorão 9:51)

A palavra em árabe para "confiar em Deus" é "tevekkül", que significa "tomar como guardião e socorredor". No sentido mais comum, confiar em Deus significa "fazer o máximo possível e deixar o resultado por conta de Deus". No entanto, "tomar como guardião e socorredor", na verdade significa alguma coisa a ser feita diretamente a Deus e confiar totalmente nele.

A esse respeito, temos aqui uma coisa importante que precisa ser esclarecido. Deixar algo única e exclusivamente por conta de Deus não quer dizer que devemos nos eximir da responsabilidade dos acontecimentos e dos aspectos inerentes a eles. Pelo contrário, o crente toma toda a responsabilidade para si. Este é o verdadeiro significado de "confiar em Deus" - "tevekkül", portanto. O crente sabe que o que ele faz é, na verdade, criado por Deus, e que sua própria existência é devida a Ele, que exerce o mais absoluto controle. Por isso, ele faz o que faz "tendo Deus por guardião e socorredor".

Alguns dos casos relatados no Alcorão, nos levam a entender a importância deste tópico. Na surata Al-Naml (27), diz Salomão: "Ó Senhor meu, inspira-me, para eu Te agradecer a mercê com que me agraciaste, a mim e aos meus pais, e para que pratique o bem que Te compraz e admite-me na Tua misericórdia, juntamente com os Teus servos virtuosos." (Alcorão 27:19) Esta prece indica que Salomão sabia que todas as suas atitudes estavam sob o controle de Deus e ele pede para ser capaz de praticar o bem que satisfaz a Deus.

O crente sabe que toda a criatura, inclusive ele próprio, está sob o controle de Deus e que Ele tem autoridade sobre todas as coisas. Então ele confia em Deus, observando o que acontece na terra e em sua alma, e toma Deus como seu guardião e protetor. Como resultado, surge a pessoa mais corajosa, mais confiante e mais forte da terra. O crente que confia em Deus é corajoso o suficiente para se opor ao mundo todo e saber que não há um perigo verdadeiro. São muitos os casos no Alcorão, que nos informam acerca da confiação dos mensageiros e Noé também está entre os mensageiros.

"Narra-lhes a história de Noé, quando disse ao seu povo: Ó povo meu, se a minha permanência entre vós e minha exortação, referentes aos versículos de Deus, vos ofendem, a Deus me encomendo. Decidi-vos, vós e vossos ídolos, e não oculteis vossa decisão; então, hostilizai-me e não me poupeis." (Alcorão 10:71)

Xuaib também teve a mesma atitude:

"Respondeu: Ó povo meu, não vedes que possuo a evidência de meu Senhor e Ele me agraciou generosamente ...? Não pretendo contrariar-vos, a não ser no que Ele vos vedou; só desejo a vossa melhoria, de acordo com a minha capacidade; e meu êxito só depende de Deus, a Quem me encomendo e a Quem retornarei, contrito." (Alcorão 11:88)

Em muitos outros versículos, o Alcorão enfatiza a confiança em Deus e a perseverança:

"Mas, se te negam, dize-lhes: Deus me basta! Não há mais divindade além d'Ele! A Ele me encomendo, porque é o Soberano do Trono Supremo." (Alcorão 9:129)

"Só são fiéis aqueles cujos corações, quando lhes é mencionado o nome de Deus estremecem e, quando lhes são recitados os Seus versículos, é-lhes acrescentada a fé, e se encomendam ao Seu Senhor." (Alcorão 8:2)

"A Deus pertence o mistério dos céus e da terra, e a Ele retornarão todas as coisas. Adora-O, pois, e encomenda-te a Ele, porque teu Senhor não está desatento de tudo quanto fazeis!". Alcorão 11:123)

"Assim te enviamos a um povo, ao qual precederam outros, para que lhes recites o que temos revelado, apesar de negarem o Clemente. Dize-lhes: Ele é o meu Senhor! Não há mais divindade além d'Ele! e a Ele retornarei." (Alcorão 13:30)

"Seus mensageiros lhes asseveraram: Não somos mais do que mortais como vós; porém, Deus agracia quem Lhe apraz, dentre Seus servos, e ser-nos-á impossível apresentar-vos uma autoridade, a não ser com a anuência de Deus. Que os fiéis se encomendem a Deus! E que escusa teremos para não nos encomendarmos a Deus, sendo que Ele nos mostrou os caminhos? Nós suportaremos as vossas injúrias, e que a Deus se encomendemos que n'Ele confiam!" (Alcorão 14:11-12)

"Dize-lhes (mais): Ele é o Clemente, no Qual cremos e ao Qual nos encomendamos. Logo sabereis quem está em erro evidente!" (Alcorão 67:29)

A pessoa que confia em Deus e O toma por guardião e protetor deve saber que não existe ninguém em quem possa depositar a sua confiança e tomar como guardião. Não há porque preocupar-se, porque ele implora a Deus e confia n'Ele. Deus, certamente, saberá o que é melhor para o crente. O Alcorão nos diz "encomenda-te a Deus, porque basta Ele por Guardião." (Alcorão 33:3)

Em um outro versículo, o Alcorão declara que:

"... e para aqueles que temem a Deus, Ele lhe apontará uma saída, e o agraciará, de onde menos esperar. Quanto àquele que se encomendar a Deus, saiba que Ele lhe será Suficiente, porque Deus cumpre o que promete. Certamente, Deus predestinou uma proporção para cada coisa." (Alcorão 65:2-3)

Ninguém pode prejudicar um crente, a menos que Deus o permita. Ninguém pode matar um crente, a menos que Deus o permita. Somente Deus põe um fim à vida, portanto, não teria qualquer sentido temermos a alguém ou a alguma coisa, e isto é frequentemente mencionado no Alcorão:

"Sabei que a confabulação emana de Satanás, para atribular os fiéis. Porém, ele em nada poderá prejudicá-los sem o beneplácito de Deus. Que os fiéis se encomendem a Deus!" (Alcorão 58:10)

"E não obedeças aos incrédulos, nem aos hipócritas, e não faças caso de suas injúrias; encomenda-te a Deus, porque Ele te basta por Guardião." (Alcorão 33:48)

"E se lhes perguntares quem criou os céus e a terra, seguramente dirão: Deus! Dize-lhes: Tereis reparado nos que invocais, em vez de Deus? Se Deus quisesse prejudicar-me, poderiam, acaso,impedi-Lo? Ou, então, se Ele quisesse favorecer-me com alguma graça, poderiam eles privar-me dela? Dize-lhes (mais): Deus me basta! A Ele se encomendam aqueles que estão confiantes." (Alcorão 39:38)

A pessoa que confia em Deus e se submete a Ele, e que toma Deus por seu verdadeiro guardião e protetor, será, então, salva das falsas acusações de Satanás. No Alcorão isto é dito da seguinte forma:

"Porque ele não tem qualquer autoridade sobre os fiéis, que confiam em seu Senhor." (Alcorão 16:99).

Também é-nos dito que estarão perante Deus aqueles que confiaram n'Ele e se submeteram a Ele.

"Tudo quanto vos foi concedido (até agora) é o efêmero gozo da vida terrena; no entanto, o que está junto a Deus é preferéivel e mais perdurável, para os fiéis que se encomendam a seu Senhor." (Alcorão 42:36)

Não existe mais ninguém em quem confiar e de quem esperar socorro, senão Deus. Como disse Jacó: "... Ninguém pode ordenar exceto Deus. A ele me encomendo, e que a Ele se encomendem os que (n'Ele) confiam." (Alcorão 12:67), somente a Deus devemos confiar-nos e tomá-Lo como guardião e protetor. Não existe outro deus senão Deus, portanto, Ele é o único guardião e protetor.

"Deus, não há mais divindade além d'Ele! Que a Deus se encomendem, pois, os crentes!" (Alcorão 64:13)

"E encomenda-te ao Vivente, Imortal, e celebra os Seus louvores; e basta Ele como Sabedor dos pecados dos Seus servos." (Alcorão 25:58)